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Guerra dos Farrapos

Guerra dos Farrapos

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

sem titulo por Tati Bernardi ( untitled by Tati Bernardi )


Semana passada ouvi de um grande amigo uma grande verdade: “Chega uma hora na vida que você tem que abrir mão do selvagem dentro de você para manter amigos, empregos e constituir família. Ou você pode escolher ser um louco e viver sozinho.”

No meu último emprego, quando pedi demissão, ouvi do meu chefe, também um grande homem em raras ocasiões: “Toda essa sua mania de ser louquinha e falar o que pensa, só vai te garantir um emprego fixo: banda de rock.”


Acho que todos têm razão. E venho tentando, com orações dadas pela minha mãe desesperada com meu jeitinho nada meigo, yoga, terapia, sexo, pilates, mantras e muita conversa com amigos em geral, ser uma pessoa mais equilibrada.


Uma amiga me disse: “Quem briga por tudo e quer medir poder com todo mundo, na verdade está tentando provar que não é um bosta, tá brigando consigo mesmo”.


Pura verdade, quando minha auto-estima está em suas piores fases, é aí que a coisa pega: fico com mania de perseguição, acho que tá todo mundo querendo foder comigo, que existe um complô universal contra a minha frágil pessoa. Meu ataque nada mais é do que a defesa amedrontada de uma menina boba.


Mas a verdade é que eu odeio o equilíbrio. Porra, se eu tô puta, eu tô puta! Se eu tô com ciúme, não vou sorrir amarelo e mostrar controle porque preciso parecer forte e bem resolvida. Se o filho da puta que senta do meu lado é um filho da puta, eu não vou fazer política da boa vizinhança, eu vou mais é berrar e libertar essa verdade de dentro do meu fígado: você é um grandessíssimo filho de uma puta! Se a vaca da catraca do teatro me tratou mal, eu vou mais é falar mesmo que ela é uma horrorosa que não vê pica há anos, ou melhor, que a última pica que viu foi do padrasto que a estuprou!


O sangue ferve aqui dentro, e eu não tô a fim de transformá-lo num falso líquido rosa que um dia vai me dar um câncer. Eu não tô a fim de contar até 100, eu quero espancar a porta do elevador se ele demorar mais dois segundos, quero morder o puto do meu namorado que apenas sorri seguro enquanto eu me desfaço em desesperos porque amar dói pra caralho, quero colocar TODAS as pessoas do meu trabalho que falam “Fala, floRRRR!” ou “Precisamos disso ASAP” numa câmera de gás peristáltico.


Eu sou antipática mesmo, o mundo tá cheio de gente brega e limitada e é um direito meu não querer olhar na cara delas, não tô fazendo mal a ninguém, só tô fazendo bem a mim. Minha terapeuta fala que eu preciso descobrir as outras Tatis: a Tati amiga, a Tati simpática, a Tati meiga, a Tati que respira, a Tati que pensa, a Tati que não caga em tudo porque deixou a imbecil da Tati de cinco anos tomar as rédeas da situação.


Ela tem razão, mas é tão difícil ver todos vocês acordando de manhã sem nada na alma, é tão difícil ver todos os casais que só sobrevivem na cola de outros casais que só sobrevivem na cola de outros casais, é praticamente impossível aceitar que as contas do final do mês valham a minha bunda sentada mais de 8 horas por dia pensando o quanto eu odeio essa gente que se acha “super” mas não passa de vendedor de sabonete ambulante.


É tão difícil ser mocinha maquiada em vestido novo e sapato bico fino quando tudo o que eu queria era rasgar todos os enfeites e cagar de quatro no meio da pista enquanto as tias chifrudas bebem para esquecer as dúvidas ao som de “Love is in the air”.


Parem de sorrir automaticamente para tudo, humanos filhos da puta, admitam que vocês não fazem a menor idéia do que fazem aqui. Admitam a dor de estar feio, e admitam que estar bonito não adianta porra nenhuma.


Eu já me senti um lixo de pijama com remela nos olhos, mas nunca foi um lixo maior do que me senti gastando meu dinheiro numa bosta de salão de beleza enquanto crianças são jogadas em latas de lixo porque a total miséria transforma qualquer filho de Deus em algo abaixo do animal.

Mas eu não faço nada, eu continuo querendo usar uma merda de roupinha da moda numa merda de festinha da moda no meio de um monte de merdas que se parecem comigo. Eu quero feder tanto quanto eles para ser bem aceita porque, quando você faz parte de um grupo, a dor se equilibra porque se nivela.

E eu continua perdida, sozinha, achando tudo falso e banal. Acordando com ressaca de vida medíocre todos os dias da minha vida.


Grande merda de vida, você muda a estação do rádio para não reparar que a menina de dez anos parada ao lado do seu carro, já tem malícia, mas não tem sapatos. Você dá mais um gole no frisante para não reparar que a moça da mesa ao lado gostou do seu namorado, e ele, como qualquer imperfeito ser humano normal, gostou dela ter gostado.


Você disfarça, a vida toda você disfarça. Para não parecer fraco, para não parecer louco, para não aparecer demais e poder ser alvo de crítica, para ter com quem comer pizza no domingo, para ter com quem trepar na sexta à noite, para ter quem te pague a roupa nova e te faça sentir um bosta e para quem te pede socorro, você disfarça cegueira.


Você passa a vida cego para poder viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece, e louco acaba sozinho. Vão querer te encarcerar numa sala escura e vazia, ninguém quer ter um conhecido maluco que lembra você o tempo todo da angústia da verdade e de ter nascido. Você passa a vida cego, mentindo, fingindo, teatralizando o personagem que sempre vence, que sempre controla, que sempre se resguarda e nunca abre a portinha da alma para o mundo. Só que a sua portinha um dia vira pó, e você morre sem nunca ter vivido, e você deixa de existir sem nunca ter sido notado. Você é mais uma cara produzida na foto de mais uma festa produzida, é um coadjuvante feliz dessa palhaçada de teatro que é a vida.


Você aceitou tudo, você trocou as incertezas da sua alma pelas incertezas da moça da novela, porque ver os problemas em outros seres irreais é muito mais fácil e leve, além do que, novela dá sono e você não morre de insônia antes de dormir (porque antes de dormir é a hora perfeita para sentir o soco no estômago).


Você aceita a vida, porque é o que a gente acaba fazendo para não se matar ou não matar todos os imbecis que escutam você reclamar horas sem fim das incertezas do mundo e respondem sem maiores profundidades: relaaaaaaaaaaaaaxa!


Eu não vou fumar, eu não vou cheirar, eu não vou beber, eu não vou engolir, eu não vou fugir de querer me encontrar, de saber que merda é essa que me entristece tanto, de achar um sentido para eu não ser parte desse rebanho podre que se auto-protege e não sabe nem ao certo do quê. Eu não vou relaxaaaaaaaaaaaaaaaaaar.


A única verdade que me cala um pouco e, vez ou outra, me transforma em alguém estupidamente normal é que virar um louco selvagem que fala o que pensa, sem amigos e sem namorados, só é legal se você tiver alguém pra contar o quanto você é foda no final do dia.


Tati Bernardi

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Last week I heard a great friend a great truth: "There comes a time in life you have to give up the wild inside you to keep friends, jobs and a family. Or you can choose to be a crazy and living alone. "


At my last job, when I resigned, I heard from my boss, also a big man on rare occasions: "All this is crazy about his mania and speak your mind, you will only ensure a steady job: rock band."

I think everyone is right. And I've been trying, with prayers given by my mother desperate with my little way anything sweet, yoga, therapy, sex, pilates, mantras and chatter with friends in general, be a more balanced person.

A friend told me: "Who wants to fight for everything and measure power with everyone actually trying to prove that there is a shit, ok fighting with himself."

Pure truth, when my self esteem is at its worst phases, that is where the real crunch: I get persecution mania, I think everybody's trying to fuck with me, that there is a universal conspiracy against my fragile person. My attack is nothing more than the defense of a frightened silly girl.

But the truth is that I hate the balance. Damn, if I'm a bitch, I'm a bitch! If I'm jealous, I'm not smiling yellow and show control because I need to appear strong and well resolved. If the bastard sitting next to me is a son of a bitch, I'm not doing good neighborhood policy, I'll scream and release more is this true than in my liver: grandessíssimo you're a son of a bitch! If the cow ratchet theater treat me bad, I'll talk even more is that she is a horrible prick has not seen for years, or better, than last cock she saw was the stepfather who raped her!

The blood boils in here, and I'm not to turn it into a fake pink liquid that one day will give me cancer. I'm not to count to 100, I want to beat the elevator door if it takes two more seconds, I bite my fucking boyfriend who just smiles safe while I Scrap in despair because love hurts as hell, I put ALL people who speak of my work, "Speak, floRRRR!" or "We need it ASAP" a gas chamber peristaltic.

I am very unsympathetic, the world's full of people and tacky is limited and my right not want to look them in the face,'m not hurting anyone, I'm just doing me well. My therapist says I need to find other Tatis: the Tati friend, Tati friendly, the sweet Tati, the Tati that breathes, thinks that the Tati, Tati not to shit on everything because he left Buster Tati take five years control of the situation.

She's right, but it's so hard to see all of you waking up in the morning with nothing in the soul, it's so hard to see all the couples that survive only in the glue of other couples that survive only in the glue of other couples, it is practically impossible to accept that the accounts the end of the month worth sitting my butt more than 8 hours a day thinking about how much I hate these people who think "super" but is merely an itinerant seller of soap.

It's so hard to be in makeup girl new dress and pointy shoe when all I wanted was to rip all the trimmings and crap four in the middle of the track while the aunts horned drink to forget the doubts to the sound of "Love is in the air ".

Stop smiling automatically to all human motherfuckers, admit that you have not the faintest idea what to do here. Admit the pain of being ugly, and admit that being beautiful does not help shit.

I've felt like crap pajama with rheum in the eye, but has never been a greater waste than felt spending my money on crap salon while children are thrown into trash cans because the total misery turns any child of God somewhat below the animal.
But I do nothing, I keep wanting to use a fucking outfit in a fashion shit fashion party in the middle of a bunch of shit that look like me. I stink as much as they want to be well accepted because when you are part of a group, the pain is balanced because it flattens.

And I still lost, alone, thinking all fake and banal. Waking up with a hangover mediocre life every day of my life.

Great fucking life, you change the radio station to not notice that the girl of ten years standing beside his car, already has malice, but no shoes. You take another sip of sparkling to not notice that the girl at the next table liked her boyfriend, and he, like any normal human being imperfect, like her have liked.

You conceals, disguises you a lifetime. To not look weak, not to sound crazy, does not appear to be too much and the target of criticism, to have someone to eat pizza on Sunday to have someone climb on Friday night, who you pay to have new clothes and you do feel a crap and anyone who asks for help, you disguises blindness.

You go through life blind to live. Because the truth hurts seeing all too much and crazy, just crazy and alone. They'll want to imprison you in a dark room, empty, nobody wants to have a known nutcase who reminds you all the time and the trouble of actually being born. You go through life blind, lying, pretending, teatralizando the character who always wins, which always controls, which always protects and never opens the little door of the soul to the world. Except that their little door one day turns to dust, and you die without ever having lived, and you cease to exist without ever being noticed. You produced another guy in the photo of another party produced, is an adjunct happy this slapstick theater that is life.

You accept everything you traded the uncertainty of his soul by the uncertainties of the girl of the novel, because seeing the problems in other beings unreal is much easier and lighter, besides, novel gives sleep and you do not die from insomnia before bedtime ( because before bed is the perfect time to feel the punch in the stomach).

You accept life, because that's what we end up doing not to kill or not kill all the idiots who listen to you complain about endless hours of uncertainty in the world and respond without greater depths: relaaaaaaaaaaaaaxa!

I'm not smoking, I will not smell, I will not drink, I will not swallow, I will not run away from wanting to meet me, to know what the fuck is this saddens me so much, I find a way to not be part of this herd rotten that protects itself and not even know for sure what. I will not relaxaaaaaaaaaaaaaaaaaar.

The only truth that I shed a little and, occasionally, transforms me into someone stupidly normal is to turn a crazy wild that speaks his mind, without friends and boyfriends, is only legal if you have to tell someone how much you fuck is the end of the day.
Tati Bernardi

SEJA UM IDIOTA ( BE AN IDIOT )


A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.

Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!

Arnaldo Jabor


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The idiocy is vital to happiness.


Annoying people that you want to be serious, deep and visceral ever. Putz! Life's a mess, why do it, moreover, a treaty? Let seriousness to the hours during which it is inevitable deaths, separations, and related pains.

The day-to-day, for God's sake, be stupid! Ria's own defects. And who finds fault with you. Ignore what your loutish boss said. Think about this: who has to carry that ugly face every day, inseparably, it is. Poor him.

Thousands of marriages ended up not for lack of love, money, sex, sync, but the absence of idiocy. Treat your love as your best friend, and ready.

Who says life is good divide with someone who has advice for all, sensible solutions, but can not laugh when he stumbles?

hahahahahahahahaha! ...

Someone who knows how to solve a family crisis, but have no idea how to fill the leisure hours of a weekend? How long have you not go to the movies?

It is quite common people get lost when they end the problems. So, what they will now have no reason to despair?

Unlearned kidding. I do not want someone like me. Do you? I hope not.

Everything is more difficult is more tasty, but ... reality is already hard; worse if dense.

Hard, dense, and very bad.

Play it cool. Got it?

Forget what you talked about being an adult, everything not to play with food, do not talk nonsense, not being immature, do not cry, do not go barefoot, do not make rain.

Jump rope!

Adults can (and should) tell jokes, walk in the park, laughing loudly and lick the lid of the yogurt.

Being an adult is not losing the pleasures of life - and this is the only "no" really acceptable.

Test the theory. A semaninha to begin with.

See and feel things as if they were what they really are:
passing. Wake up in the morning and decide between two things: sulk and pass it along or smile ...

Good is having the same problem on the head, mouth and smile at peace in my heart!

Indeed, given the problems in the hands of God and how about a nice cup of coffee now?

Life is a play that does not allow testing. So sing, cry, dance and live intensely before the curtain closes!
Arnaldo Jabor