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Guerra dos Farrapos

Guerra dos Farrapos

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A CARTA DA TERRA


A CARTA DA TERRA

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.


Terra, Nosso Lar

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem- estar da família humada e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relaçao ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.


PRINCÍPIOS


I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA


1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.

b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.

b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.

b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.

b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessario:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA


5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.

a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.

b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.

c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.

d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.

e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de formas que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.

f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.

a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.

b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.

c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.

d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.

e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.

b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.

c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.

d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.

e. Garantir acesso universal a assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.

f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.

a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.

b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.

c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.

a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não- contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.

b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter- se por conta própria.

c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimeto humano de forma eqüitativa e sustentável.

a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.

b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.

c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.

d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência desaúde e às oportunidades econômicas.

a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.

b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.

c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.

a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.

b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.

c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.

d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.

a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.

b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.

c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.

d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.

e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.

f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus própios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.

a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.

b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.

c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.

d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.

a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de desofrimentos.

b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.

c.Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.

a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.

b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.

c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não- provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.

d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.

e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.

f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.


Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.


A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não- governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.


Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.


Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

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THE EARTH CHARTER
Preamble

We stand at a critical moment in Earth's history, a time when humanity must choose its future. As the world becomes increasingly interdependent and fragile, the future at once holds great peril and great promise. To move forward we must recognize that in the midst of a magnificent diversity of cultures and life forms we are one human family and one Earth community with a common destiny. We must join together to bring forth a sustainable global society founded on respect for nature, universal human rights, economic justice, and a culture of peace. Towards this end, it is imperative that we, the peoples of Earth, declare our responsibility to one another, to the greater community of life, and to future generations.

Earth, Our Home

Humanity is part of a vast evolving universe. Earth, our home, is alive with a unique community of life. The forces of nature make existence a demanding and uncertain adventure, but Earth has provided the conditions essential to life's evolution. The resilience of the community of life and the well-being of humanity depend upon preserving a healthy biosphere with all its ecological systems, a rich variety of plants and animals, fertile soils, pure waters, and clean air. The global environment with its finite resources is a common concern of all peoples. The protection of Earth's vitality, diversity, and beauty is a sacred trust.

The Global Situation


The dominant patterns of production and consumption are causing environmental devastation, the depletion of resources, and a massive extinction of species. Communities are being undermined. The benefits of development are not shared equitably and the gap between rich and poor is widening. Injustice, poverty, ignorance, and violent conflict are widespread and the cause of great suffering. An unprecedented rise in human population has overburdened ecological and social systems. The foundations of global security are threatened. These trends are perilous—but not inevitable.

The Challenges Ahead


The choice is ours: form a global partnership to care for Earth and one another or risk the destruction of ourselves and the diversity of life. Fundamental changes are needed in our values, institutions, and ways of living. We must realize that when basic needs have been met, human development is primarily about being more, not having more. We have the knowledge and technology to provide for all and to reduce our impacts on the environment. The emergence of a global civil society is creating new opportunities to build a democratic and humane world. Our environmental, economic, political, social, and spiritual challenges are interconnected, and together we can forge inclusive solutions.

Universal Responsibility


To realize these aspirations, we must decide to live with a sense of universal responsibility, identifying ourselves with the whole Earth community as well as our local communities. We are at once citizens of different nations and of one world in which the local and global are linked. Everyone shares responsibility for the present and future well-being of the human family and the larger living world. The spirit of human solidarity and kinship with all life is strengthened when we live with reverence for the mystery of being, gratitude for the gift of life, and humility regarding the human place in nature.

We urgently need a shared vision of basic values to provide an ethical foundation for the emerging world community. Therefore, together in hope we affirm the following interdependent principles for a sustainable way of life as a common standard by which the conduct of all individuals, organizations, businesses, governments, and transnational institutions is to be guided and assessed.

Principles

I. RESPECT AND CARE FOR THE COMMUNITY OF LIFE

1. Respect Earth and life in all its diversity.
a. Recognize that all beings are interdependent and every form of life has value regardless of its worth to human beings.
b. Affirm faith in the inherent dignity of all human beings and in the intellectual, artistic, ethical, and spiritual potential of humanity.

2. Care for the community of life with understanding, compassion, and love.
a. Accept that with the right to own, manage, and use natural resources comes the duty to prevent environmental harm and to protect the rights of people.
b. Affirm that with increased freedom, knowledge, and power comes increased responsibility to promote the common good.

3. Build democratic societies that are just, participatory, sustainable, and peaceful.
a. Ensure that communities at all levels guarantee human rights and fundamental freedoms and provide everyone an opportunity to realize his or her full potential.
b. Promote social and economic justice, enabling all to achieve a secure and meaningful livelihood that is ecologically responsible.

4. Secure Earth's bounty and beauty for present and future generations.
a. Recognize that the freedom of action of each generation is qualified by the needs of future generations.
b. Transmit to future generations values, traditions, and institutions that support the long-term flourishing of Earth's human and ecological communities.

In order to fulfill these four broad commitments, it is necessary to:

II. ECOLOGICAL INTEGRITY


5. Protect and restore the integrity of Earth's ecological systems, with special concern for biological diversity and the natural processes that sustain life.

a. Adopt at all levels sustainable development plans and regulations that make environmental conservation and rehabilitation integral to all development initiatives.
b. Establish and safeguard viable nature and biosphere reserves, including wild lands and marine areas, to protect Earth's life support systems, maintain biodiversity, and preserve our natural heritage.
c. Promote the recovery of endangered species and ecosystems.
d. Control and eradicate non-native or genetically modified organisms harmful to native species and the environment, and prevent introduction of such harmful organisms.
e. Manage the use of renewable resources such as water, soil, forest products, and marine life in ways that do not exceed rates of regeneration and that protect the health of ecosystems.
f. Manage the extraction and use of non-renewable resources such as minerals and fossil fuels in ways that minimize depletion and cause no serious environmental damage.

6. Prevent harm as the best method of environmental protection and, when knowledge is limited, apply a precautionary approach.
a. Take action to avoid the possibility of serious or irreversible environmental harm even when scientific knowledge is incomplete or inconclusive.
b. Place the burden of proof on those who argue that a proposed activity will not cause significant harm, and make the responsible parties liable for environmental harm.
c. Ensure that decision making addresses the cumulative, long-term, indirect, long distance, and global consequences of human activities.
d. Prevent pollution of any part of the environment and allow no build-up of radioactive, toxic, or other hazardous substances.
e. Avoid military activities damaging to the environment.

7. Adopt patterns of production, consumption, and reproduction that safeguard Earth's regenerative capacities, human rights, and community well-being.
a. Reduce, reuse, and recycle the materials used in production and consumption systems, and ensure that residual waste can be assimilated by ecological systems.
b. Act with restraint and efficiency when using energy, and rely increasingly on renewable energy sources such as solar and wind.
c. Promote the development, adoption, and equitable transfer of environmentally sound technologies.
d. Internalize the full environmental and social costs of goods and services in the selling price, and enable consumers to identify products that meet the highest social and environmental standards.
e. Ensure universal access to health care that fosters reproductive health and responsible reproduction.
f. Adopt lifestyles that emphasize the quality of life and material sufficiency in a finite world.

8. Advance the study of ecological sustainability and promote the open exchange and wide application of the knowledge acquired.
a. Support international scientific and technical cooperation on sustainability, with special attention to the needs of developing nations.
b. Recognize and preserve the traditional knowledge and spiritual wisdom in all cultures that contribute to environmental protection and human well-being.
c. Ensure that information of vital importance to human health and environmental protection, including genetic information, remains available in the public domain.

III. SOCIAL AND ECONOMIC JUSTICE


9. Eradicate poverty as an ethical, social, and environmental imperative.
a. Guarantee the right to potable water, clean air, food security, uncontaminated soil, shelter, and safe sanitation, allocating the national and international resources required.
b. Empower every human being with the education and resources to secure a sustainable livelihood, and provide social security and safety nets for those who are unable to support themselves.
c. Recognize the ignored, protect the vulnerable, serve those who suffer, and enable them to develop their capacities and to pursue their aspirations.

10. Ensure that economic activities and institutions at all levels promote human development in an equitable and sustainable manner.
a. Promote the equitable distribution of wealth within nations and among nations.
b. Enhance the intellectual, financial, technical, and social resources of developing nations, and relieve them of onerous international debt.
c. Ensure that all trade supports sustainable resource use, environmental protection, and progressive labor standards.
d. Require multinational corporations and international financial organizations to act transparently in the public good, and hold them accountable for the consequences of their activities.

11. Affirm gender equality and equity as prerequisites to sustainable development and ensure universal access to education, health care, and economic opportunity.
a. Secure the human rights of women and girls and end all violence against them.
b. Promote the active participation of women in all aspects of economic, political, civil, social, and cultural life as full and equal partners, decision makers, leaders, and beneficiaries.
c. Strengthen families and ensure the safety and loving nurture of all family members.

12. Uphold the right of all, without discrimination, to a natural and social environment supportive of human dignity, bodily health, and spiritual well-being, with special attention to the rights of indigenous peoples and minorities.
a. Eliminate discrimination in all its forms, such as that based on race, color, sex, sexual orientation, religion, language, and national, ethnic or social origin.
b. Affirm the right of indigenous peoples to their spirituality, knowledge, lands and resources and to their related practice of sustainable livelihoods.
c. Honor and support the young people of our communities, enabling them to fulfill their essential role in creating sustainable societies.
d. Protect and restore outstanding places of cultural and spiritual significance.

IV. DEMOCRACY, NONVIOLENCE, AND PEACE


13. Strengthen democratic institutions at all levels, and provide transparency and accountability in governance, inclusive participation in decision making, and access to justice.
a. Uphold the right of everyone to receive clear and timely information on environmental matters and all development plans and activities which are likely to affect them or in which they have an interest.
b. Support local, regional and global civil society, and promote the meaningful participation of all interested individuals and organizations in decision making.
c. Protect the rights to freedom of opinion, expression, peaceful assembly, association, and dissent.
d. Institute effective and efficient access to administrative and independent judicial procedures, including remedies and redress for environmental harm and the threat of such harm.
e. Eliminate corruption in all public and private institutions.
f. Strengthen local communities, enabling them to care for their environments, and assign environmental responsibilities to the levels of government where they can be carried out most effectively.

14. Integrate into formal education and life-long learning the knowledge, values, and skills needed for a sustainable way of life.
a. Provide all, especially children and youth, with educational opportunities that empower them to contribute actively to sustainable development.
b. Promote the contribution of the arts and humanities as well as the sciences in sustainability education.
c. Enhance the role of the mass media in raising awareness of ecological and social challenges.
d. Recognize the importance of moral and spiritual education for sustainable living.

15. Treat all living beings with respect and consideration.
a. Prevent cruelty to animals kept in human societies and protect them from suffering.
b. Protect wild animals from methods of hunting, trapping, and fishing that cause extreme, prolonged, or avoidable suffering.
c. Avoid or eliminate to the full extent possible the taking or destruction of non-targeted species.

16. Promote a culture of tolerance, nonviolence, and peace.
a. Encourage and support mutual understanding, solidarity, and cooperation among all peoples and within and among nations.
b. Implement comprehensive strategies to prevent violent conflict and use collaborative problem solving to manage and resolve environmental conflicts and other disputes.
c. Demilitarize national security systems to the level of a non-provocative defense posture, and convert military resources to peaceful purposes, including ecological restoration.
d. Eliminate nuclear, biological, and toxic weapons and other weapons of mass destruction.
e. Ensure that the use of orbital and outer space supports environmental protection and peace.
f. Recognize that peace is the wholeness created by right relationships with oneself, other persons, other cultures, other life, Earth, and the larger whole of which all are a part.

The Way Forward

As never before in history, common destiny beckons us to seek a new beginning. Such renewal is the promise of these Earth Charter principles. To fulfill this promise, we must commit ourselves to adopt and promote the values and objectives of the Charter.

This requires a change of mind and heart. It requires a new sense of global interdependence and universal responsibility. We must imaginatively develop and apply the vision of a sustainable way of life locally, nationally, regionally, and globally. Our cultural diversity is a precious heritage and different cultures will find their own distinctive ways to realize the vision. We must deepen and expand the global dialogue that generated the Earth Charter, for we have much to learn from the ongoing collaborative search for truth and wisdom.

Life often involves tensions between important values. This can mean difficult choices. However, we must find ways to harmonize diversity with unity, the exercise of freedom with the common good, short-term objectives with long-term goals. Every individual, family, organization, and community has a vital role to play. The arts, sciences, religions, educational institutions, media, businesses, nongovernmental organizations, and governments are all called to offer creative leadership. The partnership of government, civil society, and business is essential for effective governance.

In order to build a sustainable global community, the nations of the world must renew their commitment to the United Nations, fulfill their obligations under existing international agreements, and support the implementation of Earth Charter principles with an international legally binding instrument on environment and development.

Let ours be a time remembered for the awakening of a new reverence for life, the firm resolve to achieve sustainability, the quickening of the struggle for justice and peace, and the joyful celebration of life.