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Guerra dos Farrapos

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Carta aberta de Roger Waters sobre a Palestina. ( Open Letter to Roger Waters on Palestine. )


(Roger Waters é ex-integrante do Pink Floyd e autor da música "Another Brick in the Wall" e escreveu a carta em em mar/2011)

Em 1980, uma canção que escrevi, Another Brick in the Wall 2, foi

proibida pelo governo da África do Sul porque estava sendo usado por crianças negras sul-africanas para defender o seu direito a uma educação igualitária. Esse
governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre certas canções, incluindo a minha.

Vinte e cinco anos depois, em 2005, crianças palestinas participavam de um festival na Cisjordânia e cantavam em protesto contra o muro de Israel em torno da Cisjordânia. Eles cantavam: "We don't need no occupation! We don't need no racist wall!" ("Nós não precisamos de nenhuma ocupação Nós não precisamos de muro racista!"). Na época, eu ainda não tinha visto de perto sobre o que estavam cantando.


Um ano depois, fui contratado para atuar em Tel Aviv. Palestinos de um movimento defendensor de boicote acadêmico e cultural de Israel pediram-me para reconsiderar. Eu já tinha falado contra o muro, mas não estava certo de que um boicote cultural era o caminho certo a seguir.Os participantes do movimento me pediram que visitasse o território palestino ocupado para ver o muro antes que tomasse minha decisão e concordei.


Sob a proteção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada poderia ter me preparado para o que vi naquele dia. O muro é um construção revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram, observador casual de um outro mundo, com a agressão desdenhosa.


Se foi assim para mim, um estrangeiro, um visitante, imagine o que deve ser como para os palestinos, para a classe baixa, para os portadores de autorizações. Eu sabia que a minha consciência não me permitiria me afastar desse muro, do destino dos palestinos que conheci: pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de certa forma impotente, escrevi no muro, naquele dia: "Nós não precisamos de nenhum controle de pensamento."


Percebendo, nesse ponto, que a minha presença em um palco de Tel Aviv iria legitimar involuntariamente a opressão que eu tinha visto, cancelei meu show em Tel Aviv e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada ao cultivo de grãos e também, admiravelmente, à cooperação entre os diferentes credos, onde trabalham muçulmano, cristão e judeu. lada à lado, em harmonia.


Contra todas as expectativas, esse se tornou o maior evento de música na curta história de Israel. Cerca de 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos para assistir. Foi extraordinariamente comovente para nós, e no final do show fui levado a incentivar os jovens ali reunidos a exigirem de seu governo que tentasse chegar à paz com seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinos que vivem em Israel


Infelizmente, nos anos seguintes o governo israelense não fez nenhuma tentativa para implementar uma legislação que direitos aos árabes israelenses iguais aos dos judeus israelenses. O muro cresceu, inexoravelmente, anexando ilegalmente mais e mais da Cisjordânia.


Para o povo de Gaza, trancado em uma prisão virtual por trás do muro do bloqueio ilegal de Israel, significa outra série de injustiças. Isso significa que as crianças vão dormir com fome, muitas cronicamente desnutridas. Isso significa que pais e mães, incapazes de trabalhar em uma economia dizimada, não têm meios para apoiar as suas famílias. Significa que estudantes universitários com bolsas para estudar no exterior devem observar a oportunidade de uma vida escapar porque não são autorizados a viajar.


Na minha opinião, o controle repugnante e draconiano que Israel exerce sobre os palestinos de Gaza cercados e os palestinos da Cisjordânia ocupada (incluindo Jerusalém oriental), assim como a sua negação dos direitos dos refugiados de regressar às suas casas em Israel, exige que as pessoas com sentido de justiça em todo o mundo apoiem os palestinos na sua resistência civil, não violenta.


Onde os governos se recusam a agir as pessoas devem, com os meios pacíficos estão à sua disposição. Para mim, isso significa declarar a intenção de ficar na solidariedade, não só com o povo da Palestina, mas também com os muitos milhares de israelenses que não concordam com as políticas de seu governo, ao aderir à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel.


Minha convicção nasce na idéia de que todas as pessoas merecem direitos humanos básicos. Isto não é um ataque ao povo de Israel. Este é, no entanto, um apelo aos meus colegas da indústria da música, e também a artistas de outras disciplinas, para aderir a este boicote cultural.


Os artistas estavam certos ao se recusar a se apresentar no resort sul-africano Sun City até que o apartheid caísse e brancos e negros tivessem direitos iguais. E temos o direito de recusar-nos a atuar em Israel, até chegar o dia - e certamente esse dia virá - quando a muro de ocupação cairá e palestinos viverão ao lado de israelenses na paz, justiça, liberdade e dignidade que todos merecem.

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(Roger Waters is a former member of Pink Floyd and author of the song "Another Brick in the Wall" and wrote a letter in Mar/2011)


In 1980, a song I wrote, Another Brick in the Wall 2 was
banned by the government of South Africa because it was being used by black South African children to advocate their right to an equal education. That
apartheid government imposed a cultural blockade, so to speak, on certain songs, including mine.

Twenty-five years later, in 2005, Palestinian children participating in a festival in the West Bank and chanted in protest against Israel's wall around the West Bank. They chanted: "We do not need no occupation! We do not need no racist wall!" ("We do not need no occupation We do not need no racist wall!"). At the time, I had not seen up close what they were singing.

A year later, I was hired to perform in Tel Aviv. Palestinians from a movement defendensor academic and cultural boycott of Israel urged me to reconsider. I had spoken against the wall, but was not sure that a cultural boycott was the right way to seguir.Os movement participants asked me to visit the occupied Palestinian territory to see the wall before they took my decision and agreed.

Under the protection of the UN I visited Jerusalem and Bethlehem Nothing could have prepared me for what I saw that day. The wall is a construction revolting. It is policed ​​by young Israeli soldiers who treated me, the casual observer from another world, with disdainful aggression.

If so for me, a foreigner, a visitor, imagine what it must be like for the Palestinians, for the underclass, for those with permits. I knew that my conscience will not allow me to get away from that wall, from the fate of the Palestinians I met: people whose lives are crushed daily by Israel's occupation. In solidarity, and somewhat helpless, wrote on the wall that day: "We do not need no thought control."

Realizing at that point that my presence on a Tel Aviv stage would inadvertently legitimize the oppression I had seen, I canceled my gig in Tel Aviv and moved it to Neve Shalom an agricultural community devoted to growing grain and also admirably, to cooperation between different faiths, which employs Muslim, Christian and Jewish. lated by side in harmony.

Against all expectations, this has become the biggest music event in the short history of Israel. Some 60,000 fans battled traffic jams to attend. It was extraordinarily moving for us, and at the end of the show I was taken to encourage young people gathered there to demand of their government that tried to make peace with their neighbors and respect the civil rights of Palestinians living in Israel

Unfortunately, in the years following the Israeli government made no attempt to implement legislation that rights to Israeli Arabs equal to those of Israeli Jews. The wall has grown, inexorably, illegally annexing more and more of the West Bank.

For the people of Gaza, locked in a virtual prison behind the wall of Israel's illegal blockade, it means another set of injustices. This means that children go to sleep hungry, many chronically malnourished. This means that fathers and mothers, unable to work in a decimated economy, have no means to support their families. It means that university students with scholarships to study abroad must watch the opportunity of a lifetime to escape because they are not allowed to travel.

In my view, the abhorrent and draconian control that Israel exerts over the besieged Palestinians in Gaza and the occupied West Bank Palestinians (including East Jerusalem), as well as its denial of the rights of refugees to return to their homes in Israel, demands that people with a sense of justice throughout the world support the Palestinians in their civil resistance, nonviolent.

Where governments refuse to act people must, with peaceful means are at their disposal. To me this means declaring the intention to stay in solidarity, not only with the people of Palestine, but also with the many thousands of Israelis who disagree with their government's policies, by joining the campaign of Boycott, Divestment and Sanctions Israel.

My conviction is born in the idea that all people deserve basic human rights. This is not an attack on Israel. This is, however, a plea to my colleagues in the music industry, and also to artists in other disciplines, to join this cultural boycott.

Artists were right to refuse to perform at the resort Sun City South Africa until apartheid fell and whites and blacks had equal rights. And we have the right to refuse to perform in Israel until the day comes - and surely that day will come - when the wall of occupation falls and Palestinians live alongside Israelis in the peace, justice, freedom and dignity we all deserve.