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Guerra dos Farrapos

Guerra dos Farrapos

sábado, 19 de janeiro de 2013

Eduardo Marinho - O que a razão não alcança ( Eduardo Marinho - What reason does not reach )


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Eu vou falar basicamente aqui sobre o sentir, porque eu nasci, fui criado numa família, numa família bem abastada, estudei em escolas ótimas, eu tive condição de desenvolver a racionalidade com muita informação, escolas bem pagas, e eu senti uma diferença muito grande, porque a minha volta as pessoas achavam muito natural a situação que elas se encontravam, e eu olhava em volta e via muita pobreza, muita miséria e aquilo me incomodava muito, mas eu não podia falar com as pessoas porque isso incomodava
E eu passei a ser um cara meio esquisito no meio deles, eu sentia que tinha alguma coisa errada, o que me diziam, estuda, se garante, guarda esse conhecimento como um capital para você aplicar na sua vida e conseguir subsídios, e eu dizia: - Porque eu? Porque tanta gente não tem?
E isso ninguém dizia, ninguém explicava, é assim mesmo, sempre foi assim, e a intuição me dizia que isso estava errado. O mundo é extremamente racionalista, a gente vive uma sociedade racionalista, e isso é muito masculino, o sentir é extremamente feminino, e eu sempre tive essa parte em mim muito forte, até as mulheres hoje se masculinizam, para poder viver no mercado de trabalho, tudo é competição, a competição é uma coisa masculina, a cooperação é uma coisa feminina, e essa diferença foi se acentuando, primeiro eu me convenci que eu tinha alguma coisa errada, não é possível que eu não aceito isso tudo que todo mundo aceita, eu tenho alguma coisa diferente, e tentei os caminhos convencionais, fui militar de carreira, fui bancário, fui do Banco do Brasil, eu estudei direito, quando eu pensei e, fazer belas artes foi um escândalo tão grande na família que eu preferi fazer direito para todo mundo ficar sossegado, até que um dia eu tive um sonho, eu não agüentava, achava a vida um porre, um saco, uma porcaria, e um dia eu tive um sonho, e nesse sonho eu estava correndo por cima de um monte de telhados, e derrepente os telhados acabavam, eu não estava correndo atrás de nada, e nem fugindo de nada, só correndo, talvez porque eu fosse atleta eu corria muito, e derrepente acabaram as casas e eu comecei a cair, e olhei para baixo e vi kilometros lá embaixo plantações, riozinhos, eu falei:
“-beleza, dessa altura eu não corro o risco de ficar aleijado, eu vou bater e vou morrer, que ótimo, alguma novidade na vida.”
E fui caindo, agora eu vou saber como é do outro lado, eu sempre quis saber, tudo o que tem no mundo eu já sei, eu não quero, é chato, vai ter novidade, quando eu ia bater no chão eu abri o olho e acordei, olhei: “- Ai meu deus que eu estou fazendo vivo?”
Eu já sei tudo o que eu vou fazer hoje, eu não quero fazer nada disso, eu já sei todo mundo que eu vou encontrar, eu não quero encontrar ninguém, eu tenho que tomar uma atitude, eu to preferindo a morte do que a vida, nesse dia eu fui na universidade, me desliguei, peguei meus documentos, as pessoas não acreditavam,
“- eu vim pegar meus documentos.
-Você vai se transferir?
- Não, não, eu vi só pegar meus documentos.
-Não, você tem que ter uma garantia de vaga.
-Eu não quero ir para outra faculdade, eu quero só meus documentos.”
Ai o cara me olhou com raiva,
“-Você vai ter que assinar um termo de responsabilidade.
-Me dá o termo. “
Assinei, peguei os meus documentos, e levei para o meu pai, porque na minha casa sempre teve uma cobrança muito grande. Te demos tudo do bom e do melhor, você tem que ter todas as condições e ir adiante com isso. Ai eu peguei meus documentos e levei para o meu pai.
“- olha minha divida com você ta paga, você me deu condições, eu entrei na faculdade, eu não vou terminar não é porque eu não consegui, é porque eu não quero, a vida não tem sentido, e eu vou procurar um sentido para vida, ficando sem nada, eu quero não ter nada.”
Isso não era para mim assustador, porque no exercito que tinha feito guerra na selva, sobrevivência, tinha apanhado muito, tinha gás lacrimogêneo, então não tinha medo de ficar sem nada, eu dormia no chão tranquilamente.
Inclusive nos intervalos da faculdade, nas férias eu pegava a minha mochila botava nas costas e saia viajando, eu me aproximava das pessoas mais pobres porque tinha muita curiosidade de entender o código dessas pessoas, eu queria sentir igualdade, como quando eu ia nos clubes com os amigos, nos lugares bacanas que eu ia, e eu via o cara tratar com arrogância o servidor eu me incomodava demais com isso, e eu comecei a perceber que de um lado existe um sentimento implantado de superioridade e do outro lado também existe um sentimento implantado de inferioridade, e as pessoas tem muita dificuldade de sentir igualdade, e eu tentava me aproximar dos garçons, dos cozinheiros, ia pra cozinha era comum me encontrar na cozinha, e todo mundo me tratava muito bem, mas para eles eu era um rico legal, não tinha igualdade, porque eu via que eles se tratavam entre si de um jeito, e comigo era de outro jeito, e eu queria igualdade, daí a decisão de não ter nada, eu quero não ter nada, eu quero sentir igualdade, e ai eu comecei a andar, a pé, de carona, sem dinheiro nenhum, sem trabalho, eu varria o chão por um prato de comida, pintava uma cerca um prato de comida, lavava um banheiro um prato de comida, um prato de comida por dia tava bom, e seguia adiante, e comecei a perceber que eu era muito mas bem recebido nas áreas pobres que nas áreas ricas, para dar um exemplo: dois: eu estava em Recife e falei não vou pedir comida na área pobre, eu vou lá onde tem sobrando, ai fui no bairro mais rico, vi um portão aberto e uma festa acontecendo, ai eu cheguei na porta: - dá licença, eu to vendo um monte de comida ai eu to com fome, pode me arrumar um prato? Ai puseram um pouco de comida no prato me deram, eu andei um pouquinho me sentei na calçada, to comendo, derrepente para um carro de policia, o cara me deu comida e chamou a policia, ai eu to comendo, para o carro de policia, o sargento olha para mim e diz: - ta fazendo o que ai? Eu mastigando, mostrei o garfo, to comendo, ele diz – você pegou comida ai? - foi eles me deram. – pois é eles não estão gostando muito de você aqui, é melhor você sair andando. Falei: - ta legal. E sai andando, comendo.
Já na área pobre, eu estava num rincão muito no sertão, e anoiteceu e eu queria só dormir, e tinha uma casinha de telhado de palha, o telhado passava da parede, e dava para dormir ali embaixo, ai eu bati na porta, atendeu uma velhinha, olha eu to viajando a pé aqui nessa estrada e vou seguir viajem amanhã de manhã será que a senhora se incomoda se eu dormir aqui debaixo dessa palha? – Olha de jeito nenhum. Eu parei. – Entra aqui, você vai dormir aqui dentro, você vai dormir nesse sofá aqui. E me colocou para dentro. – Já comeu? O tratamento é outro. Ali eu comecei a sentir igualdade, eu comecei a aprender a língua deles, eu fiz uma pesquisa entre os mendigos de recife, eu tentei me tornar mendigo, demorei três dias para conseguir, eu tentei me aproximar, eles me repeliam, eu tentei me aproximar eles me repeliam. Ai eu fiquei bem sujo, na época só tinha, caixinha de cigarro só tinha Carlton, eu sai filando um monte de cigarros, com filtro branco, filtro amarelo botei ali dentro, de noite eu fui para a fogueira. Era sempre uma fogueirinha debaixo de uma ponte de ferro que tem lá. Cheguei na fogueira, sem olhar para ninguém, rasguei a tampa do maço joguei no chão, e peguei um cigarro acendi na brasa e me afastei. Ai foi um lá, pegou o maço de cigarro, olhou para mim, acendeu. Foi outro. Falei, to aceito. Foram três dias, três dias. Ai eu comecei a perceber que a rapaziada, a maioria da população, ela sofre um processo de sabotagem educacional. Eles tem bloqueado o desenvolvimento da racionalidade. E como acontece quando a gente perde qualquer sentido, os outros se aguçam. Então essa moçada desenvolveu a intuição de uma maneira impressionante. Eu freqüento muito favela, eu ando muito em favela, exponho em favela, vou em festa, sou chamado. E quando você entra numa favela e você é de fora as pessoas não perguntam quem você é. As pessoas ficam te olhando, observando o seu comportamento. Sentem você muito mais do que questionam você. Eles desenvolvem esse lado e não percebem. Eu pude perceber. Quando eu fui morador de rua eu me sentia privilegiado. Era engraçado, porque algumas poucas vezes eu encontrei pessoas da minha convivência social anterior. E quando as pessoas me olhavam, a expressão era de desolado: - Meu Deus o que aconteceu com você? E eu tentava mostrar que eu estava bem prá caramba, feliz pra caramba, aprendendo um monte, que não me incomodava em nada aquilo, quando a pessoa percebia que eu estava contente, ela se incomodava. Desaparecia para nunca mais, não queria mais me encontrar. Porque? Porque racionalmente, para ela, eu estava num estado deplorável. Mas quando ela via, minha felicidade, minha alegria, meu encanto na vida a intuição dela se manifestava. – Perai, tudo eu acredito está errado! Então ela não queria violar isso, ela não queria se arriscar, então eu não quero mais me encontrar com esse cara. Eu tive oportunidade de encontrar com ex-colegas do exercito que são coronéis. Três deles. Uma vez, prá nunca mais. Um deles estressou assim: - Porra você parece o mesmo moleque, cara. E eu falei: Puxa você parece outra pessoa, se eu encontrasse eu não reconheceria. Porque eles se violam freqüentemente. A gente viola a consciência para se adequar ás exigências do mundo. Um mundo racionalista que criou um deus macho. Eu lembro que eu fiquei de castigo no catecismo, porque eu perguntei se Deus tinha pinto. Herege. Falei: Poxa, eu não posso perguntar? Não estou de sacanagem. É tanto atrevimento. A gente recebe um grãozinho de razão e já quer explicar o universo. A gente não conhece nem um pedacinho. A gente ta no elétron, e já conhece o criador disso tudo? Nem isso tudo a gente conhece. A gente já sabe do que ele gosta. Na verdade fabricaram um Deus que é um super homem. Ele é vingativo. Te manda para o inferno! Adora puxar saco. Tem de estar louvando, louvando, louvando. Não dá para acreditar nisso. Racionalmente eu posso ser convencido disso, mas intuitivamente jamais. É uma coisa fora do meu alcance, falta um pouquinho de humildade. A gente habitante desse elétron... Para mim diante das interpretações absurdas, na minha opinião, que as religiões dão, eu criei a minha. Eu acho que o sistema solar é um átomo, a galáxia é uma molécula, e a gente faz parte de uma coisa que a gente nem pode imaginar. Dá para falar em Deus? Não dá. Dá para sentir! A parcela ta dentro. A consciência ta dentro. A gente tem uma parte infinitesimal da divindade. Mas o que que é isso? É muito atrevimento. É preciso usar o lado feminino, porque esse lado faz a gente se aproximar da realidade. A razão afasta. A razão é muito objetiva, é muito masculina. O mundo é extremamente masculino, não é a toa que a mulher é tão massacrada. Agora, feminino e masculino não são propriedades exclusivas nem da mulher nem do homem. Os dois estão dentro dos dois. Eu quando fique sozinho com três crianças pequenas, que eu me separei e fiquei com as três crianças, por opção delas. Com o tempo, eu comecei a sentir a falta que eles tinham do materno. E eu comecei a procurar em mim o feminino. E eu parei de fazer aquela... Porque a criança quando briga a tendência do pai é falar você prá lá e você prá lá. A tendência da mãe é falar, perai perai perai que que tá acontecendo? Senta ali um pouquinho compõe, arruma a discórdia. Quando ela levanta as crianças ali juntas e brincando. Isso é o feminino. O feminino é o carinho, é o acolhimento, é o abraço. É a comparação... eu fiz artes marciais. É a comparação entre o judô e o karate. O judô pega a força do oponente e tira ele do caminho. O karate ele bloqueia e reage, esse é o masculino. O lado feminino precisa ser desenvolvido e ele vem se desenvolvendo. O processo é longo, é lento, mas em cada lugar que eu vou eu encontro gente trabalhando, muitos deles sem ter consciência do trabalho que estão fazendo. Dentro das favelas, dentro das comunidades pobres, que de fora parece uma coisa hedionda, tem um montão de gente trabalhando. Tem muita sensibilidade. E é uma sensibilidade que não está ligada ao conhecimento acadêmico, não está ligado ao conhecimento de escola, ao ensino. Porque o ensino dessa gente é sabotado. Quando eu sai do exercito, eu fiz um cursinho para vestibular, eu tive colegas que estudaram no ensino publico. E os caras não sabiam coisas que eu achava absurdo demais eles não saberem. E um dia um cara me trouxe uma prova do terceiro ano da escola publica, eu achei que era brincadeira dele. Era muita superficialidade, aquilo ali não é ensino, aquilo é engabelação. Ai o que eu fui sentindo, eu fui intuindo que há uma sabotagem em cima da maioria da população para beneficiar uma minoriazinha ínfima, que pega uma parte da classe, vamos dizer esclarecivel, e bota a seu serviço impondo valores. Eles controlam as grades curriculares e botam a televisão dentro da sua casa formando valores. Vale quem tem, você vale o que você tem. E a gente vê os sintomas disso na sociedade. Quem ta em universidade sabe muito bem como é que o curso de ciências sociais é tratado e como o curso de ciências tecnológicas é tratado. Se agente olhar pras delegacias, compara uma delegacia de crime contra o patrimônio com uma delegacia de homicídios, claramente o patrimônio, na nossa sociedade, vale mais do que a vida. A sua vida vale alguma coisa se você tiver patrimônio, se você não tiver patrimônio sua vida não vale nada. Você pode morrer tranquilamente. As forças de segurança são jogadas para cima da rapaziada pobre. Eu tava no Leblon falando com o pessoal dos Aitigais, que me convidou pra um evento. E eu ... sandália, fazendo uma diferença, o pessoal todo muito bem arrumado, parou um carro de policia. Desceu um negão, sargento: - Boa noite, com licença, documentação. Só comigo, os outros não. – Documentação, por favor. Eu nunca tinha sido abordado desse jeito. Na área que eu moro eles apontam a arma e falam: - Encosta, encosta! Pergunta se ele quer ver documento? Não quer ver documento, ele quer te revistar. Então quando o cara falou isso comigo eu parei e fiquei olhando para a cara dele, parece que não caiu a ficha, não entendi o que ele falou, o que? – Documentação. – O que, você quer ver o meu documento? Nossa! Mostrei para ele o documento. E ele me deixou em paz, não me empurrou nada. Na minha área é muito diferente. Eu não posso explicar isso com a razão. Eu posso sentir essa diferença. No desenvolvimento da intuição, a gente se aproxima tanto da verdade que a gente começa a sentir as pessoas. Eu percebi que as pessoas tem como que uma freqüência vibracional. Essa freqüência vibracional é formada pela parte abstrata do ser. São os desejos, as visões de mundo, os objetivos, os sentimentos, as opiniões. Isso forma uma freqüência vibracional. Eu andei muito no meio de bandidos, de pilantras, eu amo eles, só não confio. Eu posso gostar do pilantra eu não posso é confiar nele. E ele sabe disso, então eu dou muito bem. Perdi o fio da meada, alguém pode me lembrar? Sim, Sim. Eu conheci pilantras que queriam se aproximar de certo circulo pessoal que eu me aproximava tranquilamente com idéias e tal dentro do boteco. Mas, ele tentava se aproximar com admiração e era repelido. As pessoas não sabiam porque que repeliam. Mas quando o cara chegava, a vibração dele incomodava. Isso ai é o feminino. A gente sente. A gente não sabe. Eu não fui muito com a cara desse sujeito, eu não bati com a onda dele. Isso é intuição, é isso que está se desenvolvendo. Agora quando isso se desenvolve a gente tem a impressão que a transição ta, já vai dar um pulo. Não dá pulo. Nós estamos em fase de transição, nós estamos num período critico, mas esse período leva gerações. Eu não acredito que haja uma mudança real sem que todo mundo esteja envolvido. Todo mundo, inclusive o pessoal de estado de barbárie, que cerca a sociedade. Que afinal é a classe mais imprescindível. Porque tudo que nós olhamos, tudo que nós vemos, tudo que nós tocamos foi posto no lugar por mão de pobre. Que botou a rua, os tijolos, quem carrega as caixas, quem viabiliza, quem mantém e quem sustenta, via impostos, são os mais pobres. É a classe mais imprescindível que tem na sociedade. E no entanto é mais desprezada, a mais perseguida, a mais vilipendiada, enganada, sabotada e atirada num estado de barbárie. Por um lado é uma sacanagem, por outro lado o desenvolvimento do lado feminino. Do lado intuitivo, do lado não racional do ser. Que é o lado que começa aparecer agora. E que eu tenho a impressão, tenho a intuição de que vai se tornar preponderante, e quando se tornar preponderante, nos vamos perceber que nós somos todos a mesma família. É isso.
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I'm basically here to talk about the feeling, because I was born, I was raised in a family, a wealthy family well, I studied in great schools, I had to develop the rationality condition with lots of information, schools paid well, and I felt a big difference because my back people felt very natural the situation they were in, and I looked around and saw a lot of poverty, a lot of misery and that bothered me a lot, but I could not talk to people because it bothered

And I started to be a weird guy in the middle of them, I felt that something was wrong, so I said, studying, is guaranteed, guard this knowledge as a capital for you to apply in your life and get subsidies, and I said : - Why me? Because so many people do not have?
And nobody said no one explained, is like that, always has been, and intuition told me it was wrong. The world is extremely rationalistic, we live a society rationalist, and that's very masculine, the feel is very feminine, and I always had this very strong part of me, even if masculinizam women today, in order to live on the labor market everything is competition, competition is a male thing, cooperation is a female thing, and this difference was accentuated if, first I convinced myself that I had something wrong, I can not accept that not everything that everyone accepts I have something different and tried conventional paths, was career military, I was banking was the Bank of Brazil, I studied law, and when I thought, make fine art was a big scandal in the family I preferred to do right for everyone to stay quiet, until one day I had a dream, I could not stand it, I thought life a drunk, a bag, a mess, and one day I had a dream and in that dream I was running over a lot of roofs, roofs and suddenly ended, I was not chasing anything, and not running away from anything, just running, maybe because I was an athlete I ran too, and suddenly the houses ended and I began to fall, and looked low kilometers downstairs and saw plantations, streams, I said:
"-Beauty, this time I do not run the risk of being crippled, I'm going to hit and I die, that's great, something new in life."
And I was falling, now I know how the other side, I always wondered, all you have in the world I know, I do not want, is boring, will have new, when I would hit the ground I opened the eye I woke up and I looked "- Oh my god I'm doing alive?"
I already know everything I'm going to do today, I do not want to do any of that, I already know everyone I'm going to find, I do not find anyone, I have to take action, I'm preferring death than life that day I was in college, I hung up, I got my documents, people did not believe,
"- I came to get my papers.
Are you going to transfer?
- No, no, I saw just get my documents.
No, you have to have a job guarantee.
-I do not want to go to another college, I just want my documents. "
Oh the guy looked at me with anger,
"-You will have to sign a liability waiver.
-Give me the word. '
I signed, I took my documents and took it to my dad, because my house has always had a very large collection. Gave you all the good and the best, you have to have all the conditions and go ahead with it. Then I took my documents and took it to my father.
"- Look at my debt with you ta pay, conditions you gave me, I got into college, I will not finish it's not because I could not, because I do not want, life is meaningless, and I'll find a way to life, getting nothing, I have nothing. "
That was not scary for me because I had done in the army jungle warfare, survival, had picked up a lot, had tear gas, then had no fear of running out of anything, I slept on the floor quietly.
Even during breaks from college on vacation I took my backpack would put on his back and quit traveling, I approached the poorest people because it was very curious to understand the code of these people, I wanted to feel equal, as when I went to clubs with Friends in cool places I went, and I saw the guy dealing with the arrogance server I bothered too much with it, and I began to realize that on one side there is a feeling of superiority and deployed on the other side there is also a feeling deployed inferiority, and people have a hard time feeling equal, and I tried to approach the waiters, cooks, went to the kitchen was common to find me in the kitchen, and everyone treated me very well, but to them I was a rich legal equality had not, because I saw that they treated each other in a way, and to me it was the other way, and I wanted equality, hence the decision to have nothing, I have nothing, I want to feel equal, and then I started to walk, walk, ride, no money, no job, I swept the floor for a plate of food, a fence painted a plate of food, a bathroom washing a plate of food, a plate of food tava good day, and went ahead and started to realize that I was very well received but in poor areas than in affluent areas, to give one example: two: I was in Recife and said I will not beg for food in the poor area, I I'll go where he has left, there was the richest neighborhood, I saw an open gate and a party going on, then I got to the door: - excuse me, I'm seeing a lot of food to hungry then I can get me a plate ? Ai put a little food on the plate gave me, I walked a bit I sat on the sidewalk, to eating, to suddenly a police car, the guy gave me food and called the police, then I to eating, to the cop car the sergeant looks at me and says: - ai ta doing what? I chewed, I showed the fork, to eat, he says - you got food there? - Was they gave me. - Is because they're not really enjoying you here, you better walk away. I said - ta legal. And walks away, eating.
Already in poor area, I was on a corner lot in the backcountry, and night fell and I just wanted to sleep, and had a thatched-roof house, passed the roof of the wall, and I could sleep down there, then I knocked on the door, answered an old lady, I look to traveling on foot here and I will follow this road trip tomorrow morning that you will not mind if I sleep here under this straw? - Look at all. I stopped. - Come here, you'll sleep in here, you'll sleep on this couch here. And put me inside. - Have you eaten? The treatment is another. There I began to feel equal, I began to learn their language, I did a survey of beggars reef, I tried to make a beggar, it took me three days to get it, I tried to get closer, they repelled me, I tried to approach they repelled me. Then I got pretty dirty at the time only had one box of cigarettes had Carlton, filando I left a lot of cigarettes with white filter, yellow filter I put in there, the night I went to the fire. It was always a little fire under an iron bridge that's there. I arrived at the stake, without looking at anyone, tore the cover threw the packet on the floor, lit a cigarette and took over coals and walked away. Ai was one there, picked up the packet of cigarette, looked at me, lit. It was another. I said, to accept. Three days, three days. Then I began to realize that the jig, the majority of the population, it undergoes a process of educational sabotage. They have blocked the development of rationality. And as happens when we lose any sense, others sharpen. So this moçada intuition developed in an impressive way. I attend a lot slum, I walk a lot in slums, slum expose, I will feast on, I am called. And when you walk in a slum and you are out people do not ask who you are. People are watching you, watching your behavior. You feel a lot more challenging than you. They develop this side and do not realize. I could tell. When I was homeless I felt privileged. It was funny, because a few times I met people from my social life before. And when people look at me, the expression was bleak: - My God, what happened to you? And I tried to show that I was well prac damn happy as hell, learning a lot, that did not bother me at all that, when the person realized that I was glad she was bothered. Disappeared for ever, no longer wanted to meet me. Why? Because rationally, to her, I was in a deplorable state. But when she saw, my happiness, my joy, my delight in life was manifested her intuition. - Perai, everything I believe is wrong! So she did not want to violate it, she did not want to risk it, so I do not want to meet with this guy. I had the opportunity to meet with former classmates that are army colonels. Three of them. Once, practical anymore. One stressed thus: - Damn you look like the same kid, man. And I said: Wow you look like someone else, if I found I did not recognize. Because they often violate. We violates the conscience to suit the demands of the world. A rationalist world that God created a male. I remember I was grounded in the catechism, because I wondered if God had pinto. Heretic. I said, 'Wow, I can not ask? I'm not kidding. It is both daring. We get a speck of reason and now want to explain the universe. We do not know even a little bit. We ta the electron, and already know the creator of all this? Not everything that we know. We already know what he likes. In fact fabricated a God who is a superman. He is vindictive. Sends you to hell! Adora pull bag. You must be praising, praising, praising. I can not believe it. Rationally I can be convinced, but never intuitively. It's something out of my reach, lack a bit of humility. We inhabitant of electron ... To me the face of absurd interpretations, in my opinion, that religion gives, I created my own. I think that the solar system is an atom, a molecule is the galaxy, and we are part of something we can not imagine. Can you talk about God? Can not. You can feel it! The portion within ta. Ta Consciousness within. We have an infinitesimal part of divinity. But what is it? It is very daring. You must use the female side because that side is we get closer to reality. The reason away. The reason is very objective, very masculine. The world is extremely male, no wonder that the woman is so butchered. Now, male and female are not exclusive properties nor woman nor man. The two are within two. When I get alone with three small children who I divorced and I was with three children, by choice of them. Over time, I began to feel that they had a lack of breastfeeding. And I started looking at me females. And I stopped doing that ... Why fight when the child's father is the trend you speak this way and you will put there. The tendency of the mother is talking, wait Perai Perai that what is happening? Sit there a little bit composes, arranges discord. When she raises the children there and playing together. This is the female. The female's affection, is the host, is the embrace. It is the comparison ... I did martial arts. It is the comparison between judo and karate. Judo takes the opponent's strength and the way he draws. The karate blocks and he reacts, this is the masculine. The feminine side needs to be developed and it has been developed. The process is long, slow, but every place I go I meet people at work, many of them without being aware of the work they are doing. Within the slums, in poor communities, which from the outside looks like a hideous thing, has a lot of people working. It has great sensitivity. It is a sensibility that is not linked to academic knowledge, knowledge is not connected to the school, teaching. Because the teaching of these people is sabotaged. When I left the army, I did a preparatory course for entrance exam, I had colleagues who studied in public education. And the guys did not know the things I thought too absurd they did not know. And one day a guy brought me a proof of the third year of public school, I thought it was a joke. It was very superficial, that there is not education, it is engabelação. Oh what I was feeling, I was realizing that there is a sabotage over the majority of the population to benefit a tiny minoriazinha, that takes a part of the class, say esclarecivel, and his service to boot imposing values. They control the curriculum and lay the television in your house forming values. Vale who has, you're worth what you have. And we see the symptoms of this society. Who ta in university knows very well how the social science course is handled and how the course of technological sciences is treated. If you look pras police agent, compares a police crime against property with a police killings, clearly the equity in our society, is worth more than life. Your life is worth something if you have equity, if you are not worth your life is worth nothing. You can die peacefully. Security forces are thrown onto the poor guys. I was in Leblon talking with staff of Aitigais, who invited me to an event. And I ... sandal, making a difference, people all very neat, stopped a police car. Down a nigga, sergeant: - Good evening, with license documentation. Just me, others do not. - Documentation, please. I had never been approached that way. In the area where I live they point the gun and say: - Hillside, hillside! Asks if he wants to see the document? Do not want to see the document, he wants to search you. So when the guy said that to me I stopped and stared at his face, it seems that not sunk in, I did not understand what he said, what? - Documentation. - What, you wanna see my document? Whoa! I showed him the document. And he left me alone, do not push me anything. In my area is very different. I can not explain it right. I can feel the difference. In developing intuition, we are so close to the truth that we start to feel people. I realized that people like that have a vibrational frequency. This vibrational frequency is formed by the party to be abstract. They are the desires, the worldviews, goals, feelings, opinions. This forms a vibrational frequency. I walked a lot in the middle of bandits, of rogues, I love them, just do not trust. I may like the crook is I can not trust him. And he knows it, so I give very good. I lost the thread, can someone remind me? Yes, Yes I met rogues who wanted to approach certain personal circle I approached quietly and with such ideas inside the pub. But he tried to get closer with admiration and was repelled. People did not know why they repelled. But when the guy arrived, vibration bothered him. That there is the feminine. One feels. We do not know. I was not very expensive with this guy, I did not hit him with a wave. This is intuition, that is what is developing. Now when it develops one has the impression that the transition ta, as vai jump. You can not jump. We are in transition, we are in a critical period, but this period takes generations. I do not believe there is a real change unless everyone is involved. Everyone, including the staff of state of barbarism, that about society. What after all is the most essential class. Because everything we looked at, everything we see, everything we touch has been put in place by hand poor. That put the street, bricks, who carries the boxes, enables those who keep and who maintains, via taxes, are the poorest. It is most essential that the class has on society. And yet it is most despised, the most persecuted, the most reviled, deceived, sabotaged and thrown into a state of barbarism. On the one hand is dirty, on the other hand the development of the female side. The intuitive side, the side not being rational. That is the side that starts now appear. And I have a feeling, have a hunch that will become predominant, and when it becomes prevalent, we will realize that we are all the same family. That's it.