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Guerra dos Farrapos

Guerra dos Farrapos

sábado, 15 de junho de 2013

Texto de Tati Bernardi ( Text Tati Bernardi )



Semana passada ouvi de um grande amigo uma grande verdade: “Chega uma hora na vida que você tem que abrir mão do selvagem dentro de você para manter amigos, empregos e constituir família. Ou você pode escolher ser um louco e viver sozinho.”

No meu último emprego, quando pedi demissão, ouvi do meu chefe, também um grande homem em raras ocasiões: “Toda essa sua mania de ser louquinha e falar o que pensa, só vai te garantir um emprego fixo: banda de rock.”

Acho que todos têm razão. E venho tentando, com orações dadas pela minha mãe desesperada com meu jeitinho nada meigo, yoga, terapia, sexo, pilates, mantras e muita conversa com amigos em geral, ser uma pessoa mais equilibrada.

Uma amiga me disse: “Quem briga por tudo e quer medir poder com todo mundo, na verdade está tentando provar que não é um bosta, tá brigando consigo mesmo”.

Pura verdade, quando minha auto-estima está em suas piores fases, é aí que a coisa pega: fico com mania de perseguição, acho que tá todo mundo querendo foder comigo, que existe um complô universal contra a minha frágil pessoa. Meu ataque nada mais é do que a defesa amedrontada de uma menina boba.

Mas a verdade é que eu odeio o equilíbrio. Porra, se eu tô puta, eu tô puta! Se eu tô com ciúme, não vou sorrir amarelo e mostrar controle porque preciso parecer forte e bem resolvida. Se o filho da puta que senta do meu lado é um filho da puta, eu não vou fazer política da boa vizinhança, eu vou mais é berrar e libertar essa verdade de dentro do meu fígado: você é um grandessíssimo filho de uma puta! Se a vaca da catraca do teatro me tratou mal, eu vou mais é falar mesmo que ela é uma horrorosa que não vê pica há anos, ou melhor, que a última pica que viu foi do padrasto que a estuprou!

O sangue ferve aqui dentro, e eu não tô a fim de transformá-lo num falso líquido rosa que um dia vai me dar um câncer. Eu não tô a fim de contar até 100, eu quero espancar a porta do elevador se ele demorar mais dois segundos, quero morder o puto do meu namorado que apenas sorri seguro enquanto eu me desfaço em desesperos porque amar dói pra caralho, quero colocar TODAS as pessoas do meu trabalho que falam “Fala, floRRRR!” ou “Precisamos disso ASAP” numa câmera de gás peristáltico.

Eu sou antipática mesmo, o mundo tá cheio de gente brega e limitada e é um direito meu não querer olhar na cara delas, não tô fazendo mal a ninguém, só tô fazendo bem a mim. Minha terapeuta fala que eu preciso descobrir as outras Tatis: a Tati amiga, a Tati simpática, a Tati meiga, a Tati que respira, a Tati que pensa, a Tati que não caga em tudo porque deixou a imbecil da Tati de cinco anos tomar as rédeas da situação.

Ela tem razão, mas é tão difícil ver todos vocês acordando de manhã sem nada na alma, é tão difícil ver todos os casais que só sobrevivem na cola de outros casais que só sobrevivem na cola de outros casais, é praticamente impossível aceitar que as contas do final do mês valham a minha bunda sentada mais de 8 horas por dia pensando o quanto eu odeio essa gente que se acha “super” mas não passa de vendedor de sabonete ambulante.

É tão difícil ser mocinha maquiada em vestido novo e sapato bico fino quando tudo o que eu queria era rasgar todos os enfeites e cagar de quatro no meio da pista enquanto as tias chifrudas bebem para esquecer as dúvidas ao som de “Love is in the air”.

Parem de sorrir automaticamente para tudo, humanos filhos da puta, admitam que vocês não fazem a menor idéia do que fazem aqui. Admitam a dor de estar feio, e admitam que estar bonito não adianta porra nenhuma.

Eu já me senti um lixo de pijama com remela nos olhos, mas nunca foi um lixo maior do que me senti gastando meu dinheiro numa bosta de salão de beleza enquanto crianças são jogadas em latas de lixo porque a total miséria transforma qualquer filho de Deus em algo abaixo do animal.
Mas eu não faço nada, eu continuo querendo usar uma merda de roupinha da moda numa merda de festinha da moda no meio de um monte de merdas que se parecem comigo. Eu quero feder tanto quanto eles para ser bem aceita porque, quando você faz parte de um grupo, a dor se equilibra porque se nivela.

E eu continua perdida, sozinha, achando tudo falso e banal. Acordando com ressaca de vida medíocre todos os dias da minha vida.

Grande merda de vida, você muda a estação do rádio para não reparar que a menina de dez anos parada ao lado do seu carro, já tem malícia, mas não tem sapatos. Você dá mais um gole no frisante para não reparar que a moça da mesa ao lado gostou do seu namorado, e ele, como qualquer imperfeito ser humano normal, gostou dela ter gostado.

Você disfarça, a vida toda você disfarça. Para não parecer fraco, para não parecer louco, para não aparecer demais e poder ser alvo de crítica, para ter com quem comer pizza no domingo, para ter com quem trepar na sexta à noite, para ter quem te pague a roupa nova e te faça sentir um bosta e para quem te pede socorro, você disfarça cegueira.

Você passa a vida cego para poder viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece, e louco acaba sozinho. Vão querer te encarcerar numa sala escura e vazia, ninguém quer ter um conhecido maluco que lembra você o tempo todo da angústia da verdade e de ter nascido. Você passa a vida cego, mentindo, fingindo, teatralizando o personagem que sempre vence, que sempre controla, que sempre se resguarda e nunca abre a portinha da alma para o mundo. Só que a sua portinha um dia vira pó, e você morre sem nunca ter vivido, e você deixa de existir sem nunca ter sido notado. Você é mais uma cara produzida na foto de mais uma festa produzida, é um coadjuvante feliz dessa palhaçada de teatro que é a vida.

Você aceitou tudo, você trocou as incertezas da sua alma pelas incertezas da moça da novela, porque ver os problemas em outros seres irreais é muito mais fácil e leve, além do que, novela dá sono e você não morre de insônia antes de dormir (porque antes de dormir é a hora perfeita para sentir o soco no estômago).

Você aceita a vida, porque é o que a gente acaba fazendo para não se matar ou não matar todos os imbecis que escutam você reclamar horas sem fim das incertezas do mundo e respondem sem maiores profundidades: relaaaaaaaaaaaaaxa!

Eu não vou fumar, eu não vou cheirar, eu não vou beber, eu não vou engolir, eu não vou fugir de querer me encontrar, de saber que merda é essa que me entristece tanto, de achar um sentido para eu não ser parte desse rebanho podre que se auto-protege e não sabe nem ao certo do quê. Eu não vou relaxaaaaaaaaaaaaaaaaaar.

A única verdade que me cala um pouco e, vez ou outra, me transforma em alguém estupidamente normal é que virar um louco selvagem que fala o que pensa, sem amigos e sem namorados, só é legal se você tiver alguém pra contar o quanto você é foda no final do dia.

Tati Bernardi
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Last week I heard a great friend a great truth: "There comes a time in life you have to give up the wild inside you to keep friends, jobs and raise a family. Or you can choose to be crazy and living alone. "
At my last job, when I resigned, I heard from my boss, also a great man on rare occasions: "All this being his mania louquinha and speak your mind, you will only ensure a steady job: rock band."
I think everyone is right. And I've been trying, with prayers given by my mother desperate with my little way nothing gentle, yoga, therapy, sex, pilates, mantras and chatter with friends in general be a more balanced person.


A friend told me: "Who wants to fight for everything and measure power with everyone actually trying to prove that there is a piece of shit, okay fighting with himself."
So true, when my self-esteem is at its worst phases, that is where the real crunch: I get persecution mania, I think everybody's trying to fuck with me, that there is a universal conspiracy against my fragile person. My attack is nothing more than the defense of a frightened silly girl.
But the truth is that I hate the balance. Damn, if I'm a bitch, I'm a bitch! If I'm jealous, I'm not smiling yellow and show control because I need to appear strong and well resolved. If the bastard sitting next to me is a son of a bitch, I will not do good neighborhood policy, I'll scream is more and release this truth within my liver: grandessíssimo you are a son of a bitch! If the cow ratchet theater treat me bad, I'll talk even more is that she is a horrible bites do not see for years, or better, than the last cock she saw was the stepfather who raped her!


The blood boils in here, and I'm not to turn it into a fake pink liquid that one day will give me cancer. I'm not to count to 100, I want to beat the elevator door if it takes over two seconds, I bite my fucking boyfriend who just smiles safe while I Scrap in despair because love hurts like hell, I put ALL people who speak of my work, "Speak, floRRRR!" or "We need it ASAP" a gas chamber peristaltic.
I am even unsympathetic, the world're crowded and tacky is limited and my right not to want to look at their faces,'m not hurting anyone but I'm doing well. My therapist says I need to find other Tatis: Tati friend, Tati friendly, sweet Tati, Tati breathing, thinking Tati, Tati not shit at all because left Buster Tati take five years control of the situation.
She's right, but it's so hard to see all of you waking up in the morning with nothing in the soul, it's so hard to see all the couples who only survive in the glue of other couples who only survive in the glue of other couples, it is virtually impossible to accept that the accounts the end of the month are worth my butt sitting more than 8 hours a day thinking about how much I hate these people who think "super" but is merely an itinerant seller of soap.


It's so hard to be dressed up in girl new dress and pointy shoes when all I wanted was to rip all the trimmings and shit four in the middle of the track while the aunts horned drink to forget the doubts to the sound of "Love is in the air . "


Stop smiling automatically to all human motherfuckers, admit that you have no clue of what they do here. Admit the pain of being ugly, and admit that being beautiful does not help shit.
I've felt like crap pajama with rheum in the eyes, but never was a greater waste than I have spending my money on a shitty salon while children are thrown into trash cans because the overall misery turns any child of God somewhat lower the animal.But I do nothing, I still want to wear a fashionable outfit fucking a shitty little party of fashion in the middle of a lot of shit that look like me. I stink as much as they want to be well accepted because, when you are part of a group, the pain is balanced because it flattens.
And I still lost, alone, thinking all fake and banal. Waking up with a hangover from mediocre life every day of my life.


Great fucking life, you change the radio station not to notice that the ten year old girl standing next to your car already has malice, but no shoes. You take another sip of sparkling not to notice that the girl at the next table like your boyfriend, and he, like any normal human being imperfect, like her have liked.
You conceals, disguises you a lifetime. Not to look weak, not to sound crazy, not to appear too and can be subject to criticism, to have someone to eat pizza on Sunday to have someone climb on Friday night, who will pay to have new clothes and you do feel a crap and anyone who asks for help, you disguise blindness.
You go through life blind to be able to live. Because seeing all the truth hurts too much and crazy, just crazy and alone. You will want to imprison a dark room and empty, no one wants to have a known nutcase who reminds you all the time and the trouble of actually being born. You go through life blind, lying, pretending, teatralizando the character who always wins, which always controls, which always protects and never opens the little door of the soul to the world. Only their little door one day turns to dust, and you die without ever having lived, and you cease to exist without ever being noticed. You is another guy in the picture produced another party produced, is an adjunct happy this slapstick theater that is life.
You accept everything you traded the uncertainty of their souls by the uncertainties of the girl of the novel, because seeing the problems other unreal beings is much more easy and light, in addition, novel gives sleep and you do not die from insomnia before bedtime ( because bedtime is the perfect time to feel the punch in the stomach).


You accept life, because that's what we end up doing not to kill or not to kill all the idiots who listen to you complain endless hours of uncertainty in the world and respond without greater depths: relaaaaaaaaaaaaaxa!
I'm not smoking, I will not smell, I will not drink, I will not swallow, I will not run away from wanting to meet me, to know what the fuck is this saddens me so much, to find a way for me to not be part of this herd rotten protects itself and not even know for sure what. I will not relaxaaaaaaaaaaaaaaaaaar.


The only truth I shut a bit and, occasionally, transforms me into someone stupid is normal that turn a wild crazy that speaks his mind, without friends and boyfriends, is only legal if you have to tell someone how much you fuck is the end of the day.Tati Bernardi

Texto de Paulo Coelho ( Text by Paulo Coelho )


Todos nós já tivemos, de uma maneira ou de outra, experiências difíceis na vida. Isto faz parte de nossa viagem por esta Terra – e embora muitas vezes pensamos que “as coisas podiam ter acontecido de outra maneira” - o fato é que não podemos mudar nosso passado.

Por outro lado, é uma mentira pensar que tudo que nos acontece tem o seu lado bom; existem coisas que deixam marcas muito difíceis de superar, feridas que sangram muito.

Como, então, nos livrarmos de nossas experiências amargas?

Só existe uma maneira: vivendo o presente. Entendendo que, embora não possamos mudar o passado, podemos mudar a próxima hora, o que acontecerá durante à tarde, as decisões a serem tomadas antes de dormir.

Como diz o velho provérbio hippie: “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”.
Paulo Coelho
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We've all had, one way or another, difficult experiences in life. This is part of our journey through this earth - and while we often think that "things could have happened differently" - the fact is we can not change our past.

On the other hand, is a lie to think that everything that happens to us has its good side, there are things that leave marks very difficult to overcome, wounds that bleed much.

How then do we get rid of our bitter experiences?

Only one way: living the present. Understanding that, although we can not change the past, we can change the next time, what will happen during the afternoon, the decisions to be taken before bedtime.

As the old hippie saying: "Today is the first day of the rest of my life."
Paulo Coelho

O Caminho da Vida ( the way of life )



O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(O Último discurso, do filme O Grande Ditador)

Charles Chaplin
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The way of life can be the freedom and beauty, but in astray.

The greed had poisoned men's souls ... up the walls of the world hates ... and has made ​​us march the goose step into misery and bloodshed.

We have developed speed but we have shut ourselves within it. The machine that gives abundance has left us in want.

Our knowledge has made us cynical, our cleverness hard and unkind. We think too much and feel too little.

More than machinery we need humanity. More than cleverness, we need kindness and gentleness. Without these qualities, life will be violent and all will be lost.

(The last speech of the film The Great Dictator)

Charles Chaplin