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Guerra dos Farrapos

Guerra dos Farrapos

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Evan Centopani



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O CORVO * (de Edgar Allan Poe) - CROW * (Edgar Allan Po



Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
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In a wild midnight , when I pondered, weak and sad ,
Vague , curious volume of forgotten lore ,
And nearly napping , I heard what seemed
The sound of a knock at my chamber door slightly .
" A visitor," I muttered , "tapping at my chamber door .
Only this , and nothing more . "

Ah , distinctly I remember it ! Was in the bleak December,
And the fire , dying black , urdia uneven shadows .
As I qu'ria the night , all night to books given
P'ra forget ( in vain ) the beloved , today among celestial hosts -
This know whose name the heavenly hosts ,
But unnamed here ever !

As the cold and shaking loose each purple curtain
I instilled , urdia such strange terrors never before !
But myself infused strength, I stood repeating ,
' Tis some visitor entreating entrance at my chamber door ;
Some late visitor entreating entrance at my chamber door .
Only this , and nothing more . "

And stronger in an instant , or already late or hesitant ,
"Sir," said I , " or Madam, truly your forgiveness I implore ;
But I was napping, and when you came tapping ,
So lightly tapping, tapping at my chamber door ,
That barely heard ... " And open wide , franchising them , my chamber door .
Night, night and nothing more .

The huge darkness staring , I lost fearing ,
Doubting , dreaming dreams that no one dreamed equal.
But the night was endless , deep peace and damn ,
And the only word there spoken was a name full of s -
I said her name , and told my eco ais.Isso only and nothing else .

Oping into then , all my soul within me burning ,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than .
" Surely," said I , " surely that is something at my window .
Let's see what's in it , and what are these signs . "
My heart was distracted researching these signs .
" It is the wind , and nothing more . "

So I turned to the window , and behold , with much negaça ,
Came serious and noble a crow ancestors of the good times .
Made no compliance has not stopped even for a moment ,
But solemnly and slowly landed on my posts,
A bust of Pallas just on my chamber door ,
Was landed , and nothing more .

And this strange bird , dark smile made ​​my bitterness
With the solemn decorum of his airs rituals .
" You have the look shorn ," I said , " but noble and daring,
O ancient raven wandering from the infernal darkness !
Tell me what your name out there in the darkness of hell . "
Quoth the Raven , " Nevermore."

Pasmei to hear this rare bird speak so clear ,
Inda had little sense that such words .
But it must be granted that no one has been
That a bird has had guest in my chamber door ,
Bird or beast upon the sculptured bust 's on their posts
Named " Nevermore."

But the raven on the bust , nothing else had said Augustus ,
That phrase , as if his soul he did outpour .
No more voice nor motion made ​​, and I , in my thinking
Lost, muttered slowly , " Friend , dreams - deadly
All - all gone . Tomorrow I will also . "
Quoth the Raven , " Nevermore."

Startled at the stillness by reply so aptly spoken ,
" Surely," said I , " these voices are usual ,
Learned them from any owner who disgrace and abandonment
Followed until the entomo soul broke into s ,
And the staff of his singing desesp'rança full of woe
This was " Never again."

But making the bird inda dark smile to my bitterness ,
I sat across from her , and bust and door;
And buried in the chair , I thought a lot of way
What qu'ria this ominous bird of evil ancient times ,
This black bird and the wicked sorceress ancient times ,
With that " Never again."

Discoursing with me this , but no syllable expressing
To the fowl that my soul was staring fatal
This and more was musing , the head reclining
In velvet where light waves put leftovers unequal
That velvet where she , among the remains uneven ,
Recline will be never !

Then became denser air like incense from a full
That angels give , whose light footsteps sound musical .
" Wretch," I cried , " God gave you , you gave by angels
Forgetting ; earned yourself . Take it forgets to your woes ,
The name 's not forget , and that makes these thy woes ! "
Quoth the Raven , " Nevermore."

" Prophet ," said I , " the prophet - or black bird or devil !
Storm was the devil or who brought you to my chamber door ,
In this fight and this exile , this night and this secret,
At this house ance and fear , say to this soul who atrais
If there is a balm for this distant soul whom you attract !
Quoth the Raven , " Nevermore."

" Prophet ," said I , " the prophet - or black bird or devil !
By God before whom we are both weak and mortal .
Tell this soul saddened at the Eden Hereafter
See this now lost between heavenly hosts ,
This know whose name the hosts of heaven ! "
Quoth the Raven , " Nevermore."

" Be that word in parting, bird or devil ! " , I said . " Part !
Makes at night and the storm ! Makes the infernal darkness !
Let not worth stating the lie you said !
Leave my loneliness unbroken ! Get thee bust above my door !
Takes the shape of my breast and the shadow of my chamber door ! "
Quoth the Raven , " Nevermore."

And the raven , never flitting , still is , is still
On Target bust of Pallas just on my chamber door .
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the light casts her mournful shadow on the ground for more and more ,
Release will ... never !