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Guerra dos Farrapos

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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ansiedade em vão - Martha Medeiros - ZH 14.05.14 ( Anxiety in vain - Martha Medeiros - ZH 14:05:14 )

 


"Não conhecia o Iago, o rapaz que entrou na contramão na ponte do Guaíba e percebeu tarde demais que o vão estava levantado. Ele não conseguiu frear a tempo, caiu e abreviou sua vida por causa de uma aflição.

Não sei detalhes da história, a não ser que ele estava atrasado e que não conhecia bem os meandros de entrada e saída de Porto Alegre. Tinha um carro na mão, um relógio fazendo tic-tac e uma entrevista marcada, e já passava da hora: quem tem o mínimo de responsabilidade sabe que compromissos existem para serem cumpridos.

Uma das razões de o Brasil ser essa bagunça colossal é que a palavra compromisso, para a maioria, não tem o menor valor.

Para Iago, tinha. Mas até onde devemos sucumbir ao desatino? Se o plano inicial começou errado, melhor não emendar com novos erros. Um atraso normalmente acarreta excesso de velocidade, estacionar em local proibido, estresse, e tudo isso para quê? No caso do garoto, o desespero resultou numa fatalidade.

Mais vale aceitar nossos vacilos sem buscar uma correção afobada. Falhou, está falhado. Respire fundo e vá tomar um café. Celular também existe para isso: “Não consegui chegar, desculpe”.

Claro que ele não cogitou morrer. Pensou no máximo na perda de emprego, de oportunidade, de promoção, de seja o que for que a entrevista significasse. Ele apenas quis correr atrás do prejuízo. E no caminho não viu as placas de sinalização, todas de costas para ele.

A aflição é como um sol traidor, aquele que bate de frente e te cega.

Para muitos, foi apenas um acidente com características incomuns. Para mim, foi um aviso: não vale a pena sacrificar a vida pelo bom-mocismo.

Já fiz o que ele fez. Já me perdi por ansiedade, já me senti devedora por não cumprir o combinado, já tentei consertar estragos numa tentativa presunçosa de extirpar o erro da minha biografia. Ora, um erro ou outro, o que é que tem? Aquele que não se permite uns desacertos se desumaniza pela insistência em ser perfeito.

Pressupondo que eu esteja certa a respeito da angústia do Iago, ela me fez sentir total empatia com a situação dele. Naqueles segundos finais antes de cair da ponte, ele deve ter pensado: “O que fui fazer!”. Está feito. Mas ficou o recado: sejamos todos mais atentos, porém menos ansiosos. A ansiedade não serve para nada, ela apenas faz com que tentemos superar a nós mesmos. “Superar a nós mesmos” é uma bonita frase de efeito, mas induz a uma competição besta: o vencedor e o perdedor são a mesma pessoa."
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" Do not know the Iago , the guy who went against the grain in the bridge Guaiba and realized too late that the will was lifted. He could not brake in time , fell and shortened his life because of an affliction .

I do not know details of the story , except that he was late and he did not know well the intricacies of entry and exit of Porto Alegre . Had a car in hand on a clock ticking and a marked interview, and it was past time : who has the least responsibility knows that there are commitments to be met.

One of the reasons Brazil is this colossal mess is that the word commitment , for most , has the lowest value.

To Iago , had . But how far should we succumb to madness ? If the initial plan started wrong, better not mend with new errors . A delay usually entails speeding, parking in prohibited place , stress, and all for what ? In the case of the boy , the despair resulted in a fatality.

Better accept our wandering without seeking a flustered correction. Failed , it failed. Take a deep breath and go have a coffee . Cell also exists for this: "I could not get , sorry ."

Of course he did not cogitate die. Thought the maximum in the loss of jobs, opportunity , promotion, whatever that meant the interview . He just wanted to do damage . And on the way he saw signposts , all back to him .

Distress is a traitor sun, one that flies in the face and blind you.

For many it was just an accident with unusual characteristics . For me it was a warning : it is not worth sacrificing your life for good - mocismo .

I've done what he did . I've lost myself for anxiety already felt by the debtor fails to meet the combined 've tried to repair damage in presumptuous attempt to root out the error of my biography . However , an error or the other , what is ? He who does not allow a few mistakes it dehumanizes the insistence on being perfect.

Assuming I'm right about the anguish of Iago , she made me feel complete empathy with his situation . In those final seconds before falling off the bridge, he must have thought, " What have I done " . 're Done. But got the message : we are all more aware , but less anxious. Anxiety serves no purpose , it just makes us try to overcome the same . " Overcoming ourselves " is a lovely soundbite , but induces a crossbow competition: the winner and the loser are the same person . "