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Guerra dos Farrapos

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

O medo de ter uma vida comum ( The fear of having a common life )


O medo de ter uma vida comum

O grande pavor da nossa geração

Olha só pra sua vida e a sensação de estar dentro dela.

Ali estão todos os ingredientes que, no final, podem até resultar em um filme. Dor, sofrimento, derrota, mas também momentos mágicos, únicos, na mesma medida.

Ser você é imprevisível, cada acontecimento tem o sabor da exclusividade.

Pelo menos é o que parece quando se está focado no live streaming da coisa.

Quando você decide colocar em palavras o que se passou, automaticamente, tem seus pelos ouriçados pela excitação com os detalhes. A energia flui dentro de você. Ainda assim, essa sensação não chega sequer perto de como foi experimentar esses acontecimentos.

Em comparação com a experiência em si, o que antes era tão maravilhoso, começa a parecer desfocado, fosco.

A rua na qual você morava quando criança é muito menor do que você se lembra. A casa, então, é só uma casinha comum. A escola já nem existe mais. O cinema que você frequentava fugindo da aula virou uma igreja evangélica.

Mesmo os momentos mais ordinários têm seu charme, seu ar de grande saga.

O despertador toca, são 6 da manhã. Lá fora chove o bastante pra acinzentar o céu. Na cama, você se vira para o outro lado, revira, insiste mais um minuto ou dois, mas não tem jeito, hora de levantar.

Café com leite, pão com manteiga.

Ônibus, condução, metrô.

Trânsito.

Arroz com feijão, bife e batata-frita.

Lanche da tarde.

Metrô, condução, ônibus.

Mais trânsito.

Você cansado, precisa relaxar. Pode ser a novela, videogame, um filme, talvez algumas cervejas, conversa com os amigos ou um encontro com uma pessoa especial. Com sorte, pode ser que hoje role sexo.

Há dias em que, depois do trabalho, você precisa trabalhar ainda mais. Completar a renda. Ou, quem sabe, fazer um curso, se especializar.

Tudo muito comum, mas é a sua vida.

Talvez você esteja feliz com isso, sabendo que há um script que pode seguir e, ao final, encontre algum tipo de descanso que compense tudo. Pode ser que a mera intensidade das experiências alimente seu desejo de viver.

Mas pode ser que você esteja triste, frustrado, desejando mais. Deixar uma marca no mundo, criar um nome, inventar algo útil, ter patentes, ter um artigo na Wikipedia.

Há uma chance de que você esteja desconfiado de que isso tudo não signifique muita coisa para ninguém além de você mesmo. E, sabendo disso, pode ser que você esteja sonhando com um mundo, ideias, projetos, festas e a dissipação dessa aflição que nunca te deixa.

A verdade é que a sua é só uma vida comum, não importa o quão importante você pense que seja.

E tudo bem, né?


http://papodehomem.com.br/o-medo-de-ter-uma-vida-comum
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The fear of having a common life
The great fear of our generation
Just look at your life and the feeling of being inside.
There are all the ingredients in the end may even result in a film. Pain, suffering, defeat, but also magical, unique moments to the same extent.
Being you is unpredictable, each event has the taste of uniqueness.
At least it seems when it is focused on live streaming of it.
When you decide to put into words what happened automatically have their ouriçados by the excitement with details. Energy flows within you. Still, that feeling does not even come close to how it was to experience these events.
Compared to the experience itself, what was so wonderful, it starts to look blurry, dull.
The street where you lived as a child is much smaller than you remember. The house, then, is just an ordinary house. The school does not even exist anymore. The movie you attended fleeing the classroom became an evangelical church.
Even the most ordinary moments have their charm, his air of great saga.
The alarm rings are 6 am. Outside it rains enough to gray out the sky. In bed, you turn to the other side, rolls, insists another minute or two, but no way, time to get up.
Coffee with milk, bread and butter.
Bus, driving, subway.
Traffic.
Rice and beans, steak and french fries.
Afternoon snack.
Subway, driving, bus.
More traffic.
You tired, need to relax. It may be novel, video game, a movie, maybe a few beers, chat with friends or a meeting with a special person. With luck, you may now roll sex.
There are days when, after work, you need to work even harder. Complete income. Or perhaps do a course to specialize.
All too common, but it's your life.
Maybe you're happy with it, knowing that there is a script that can follow and at the end, find some kind of rest that compensates for everything. It may be that the sheer intensity of the experiences feed your desire to live.
But it may be that you are sad, frustrated, wanting more. Leave a mark on the world, create a name, invent something useful, have patents have an article on Wikipedia.
There is a chance that you are suspicious that all this does not mean much to anyone but yourself. And knowing that, you may be dreaming of a world, ideas, projects, parties and the dissipation of this affliction that never leaves you.
The truth is that their is only an ordinary life, no matter how important you think it is.
And okay, right?


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